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Em cenário indefinido, até partidos médios e pequenos lançam pré-candidatos

segunda-feira, 12 de março de 2018

/ por News Paraíba

Outubro está cada vez mais perto e a indefinição sobre políticos realmente viáveis à presidência da República é evidente

A sete meses das eleições presidenciais, além da dúvida sobre a viabilidade e a qualidade dos candidatos postos ao Planalto, os brasileiros sequer conseguem prever se todos os nomes que se lançaram ou que pretendem se apresentar estarão, de fato, nas urnas em 7 de outubro. Aproveitando a crise política, partidos jogam no ar balões de ensaio na expectativa de colar no imaginário do eleitorado. E fazem isso com festa, pompa e circunstância, sem saber se, lá na frente, acabarão se tornando autores de uma grande fake news.

Um exemplo aconteceu na semana passada, com o pré-lançamento de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como candidato a chefe do Executivo. O atual presidente da Câmara discursou em um evento ladeado do mais novo presidente do partido, ACM Neto (prefeito de Salvador), de lideranças de partidos que o apoiam, como PP, Solidariedade e PHS, e de outros que também devem lançar nomes próprios, como o PSDB e até o MDB. “É natural que isso aconteça neste momento. Pela pulverização partidária e por uma troca de geração na política”, justifica o líder do DEM na Câmara, Rodrigo Garcia (SP).
 
Segundo o Correio Braziliense, a situação se repete também nas eleições estaduais. Segundo Garcia, nas disputas locais, essa explosão de interessados em concorrer aos cargos públicos é ainda mais nítida. Ainda assim, ele refuta a hipótese de a candidatura de Maia ser apenas um balão de ensaio. “Ele apresentou-se e é para valer. Primeiro, porque conseguiu agregar um grupo de partidos ao seu redor para lhe dar sustentação. E também por ter ocupado, antes, um espaço de discurso de centro que estava em aberto, o que lhe dá oportunidade de crescimento”, afirma Garcia.

Algo impensável em qualquer disputa eleitoral presidencial dos últimos 29 anos, desta vez, até o PT tem um balão de ensaio voando pelo céu do país. É praticamente certo que Luiz Inácio Lula da Silva não será o nome do partido na corrida de outubro, mas o partido, tanto por coerência, quanto por desorganização, recusa-se a admitir isso. Luta para esticar a presença do petista nas pesquisas e no debate político, enquanto os advogados correm para evitar que ele seja preso. As lideranças petistas admitem que, ainda assim, Lula está no centro do debate. “Essa indefinição se ele será candidato acaba influenciando todos os demais”, pondera o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

“Se houvesse uma certeza de Lula não ser candidato, acredito até que mais candidaturas seriam lançadas. Se ele disputar, a tendência é de um enxugamento das opções, inclusive em nosso campo político. Como nem o PT sabe se Lula será candidato, todo mundo apresenta nomes para ver se, na última hora, permanecem ou não viáveis”, explica Zarattini. O secretário-geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG), lembra que, em 2010, a candidatura de José Serra só foi confirmada na convenção partidária de julho. E que, em 1989, havia uma infinidade de postulantes ao Planalto ainda maior do que hoje.

Pestana, contudo, não está convicto de que Maia será o candidato do campo de centro. Evita ataques diretos para não ferir o DEM, um aliado histórico. “Mas os próprios partidos que o apoiam estipularam um prazo até junho para ele subir, dos atuais 1% nas intenções de voto, para algo em torno de 7%, 8%”, diz o parlamentar mineiro. Patamar, inclusive, no qual o tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, já está. “Esperamos chegar em junho a dois dígitos”, projeta.

Para o coordenador do curso de ciência política do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), José Deocleciano, a fragmentação partidária pode abrir uma janela para siglas pequenas que queiram ter candidato próprio. Mas, mesmo as menores devem buscar candidatos já conhecidos para concorrer com os velhos nomes da política. “Um candidato outsider pode até agregar voto, mas tem que fazer uma série de alianças fortes. Os partidos terão ter que apostar nos ‘campeões’ mesmo”, diz. “O Barbosa (Joaquim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal) pode ter uma chance? Talvez. O outsider em pequenos partidos deveria vir para abrir espaço para esse grupo, mas a capacidade de competir eleitoralmente ainda é muito baixa. Quem teria mais probabilidade seria o Luciano Huck”, completa.

A animação na corrida para apresentar candidatos não movimenta apenas as grandes legendas. Partidos de porte médio também enxergam espaço para se colocarem no cenário. O prazo para as filiações partidárias terminam em abril, o que pode determinar as alianças no futuro. Com um prazo curto de campanha, a tendência é de que mesmo os partidos pequenos apostem em nomes conhecidos do público para aumentar as chances de disputar o mais alto cargo do Executivo.

Entre os nomes já conhecidos, está o do ministro aposentado Joaquim Barbosa, que ainda conversa com o PSB. A sigla aposta no magistrado como pré-candidato, mas, para isso, é necessário que Barbosa se filie. Há uma expectativa de que isso aconteça amanhã. “Ainda não temos uma definição. Estamos avaliando, pois há um quadro de incerteza muito grande”, analisa Carlos Siqueira, presidente nacional da sigla. Ele explica que, apesar do cenário incerto, ainda não há um plano B, já que Beto Albuquerque (RS) desistiu de concorrer ao cargo.

Segundo Siqueira, o maior interesse estadual na sigla, no entanto, é a candidatura de Márcio França (SP) ao governo do estado. Eles contam com o apoio de Geraldo Alckmin, mas os tucanos paulistas já disseram não e sinalizaram para uma candidatura própria. O favorito é o atual prefeito, João Doria, mas o partido fará uma prévia em 18 de março. “A candidatura de França é um conselho de prioridade máxima”, afirma Siqueira.

Já o PPS, após a tentativa frustrada de filiar o apresentador de televisão Luciano Huck, deixou de ter um nome forte para disputar o cargo. O presidente nacional do partido, Roberto Freire (SP), afirma que a sigla não lançará pré-candidato à presidência. “Nós vamos apoiar alguém, não vamos ficar em cima do muro. Mas ainda não está decidido. Há uma tendência majoritária a apoiar o Geraldo Alckmin (PSDB)”, diz. Outra incógnita dentro do cenário eleitoral, o PTB chegou a ensaiar o planejamento de uma candidatura própria, mas deixou, oficialmente, a ideia de lado. “Nosso pré-candidato será Geraldo Alckmin”, comentou o presidente da sigla, Roberto Jefferson, em apoio ao político paulista.

Também lançados ao vento da disputa, estão os nomes do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e do senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTC). Meirelles quer a principal cadeira do Planalto e está disposto até a financiar a própria campanha, mas não conta com apoio de parte do MDB nem do próprio partido. E Collor ainda está distante do radar da política.
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