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"Ele não deveria ter saído da disputa", afirma Bolsonaro sobre Barbosa

quinta-feira, 10 de maio de 2018

/ por News Paraíba

Deputado federal avalia que os eleitores perceberiam, durante a campanha, que Joaquim Barbosa é "de esquerda"

O deputado federal e pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) acredita que o ministro Joaquim Barbosa não deveria ter saído da corrida eleitoral, já que seria exposto ao longo da disputa. “As pessoas iriam perceber e saber que ele é de esquerda”, afirma em entrevista ao programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. “E ele levaria tiro”, disse, figurativamente.
 
Segundo o Correio Braziliense, a saída de Barbosa da corrida presidencial é vista por Bolsonaro como incoerente. “O Barbosa me citou, saiu atirando. Podia ter parado nas questões pessoais. Se ele entrasse no campo realmente, levaria tiro, como todo mundo leva. Agora, se for por questão de saúde, não deveria nem cogitar se candidatar a presidente”, afirma. A preocupação decorre por conta, principalmente, do perfil do possível eleitor de ambos os candidatos. “A primeira coisa que vem à cabeça do eleitor é a questão do combate à corrupção”, admite.

As declarações de Bolsonaro surgem um dia após o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa afirmar que não será pré-candidato à Presidência da República, mas que ainda tem três preocupações com o futuro do país, uma delas é a possível eleição do deputado. “O lado positivo é que ele me via como uma possibilidade”, analisa.

Ontem, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou que não será candidato à Presidência da República. Os analistas dizem que os votos do ministro aposentado Joaquim Barbosa devem ir para outras pessoas. O que o senhor acha disso?
Desde que Joaquim Barbosa nem sequer pensava em ser candidato, institutos de pesquisas botavam o nome dele lá. Acredito que a maioria viria para mim, até porque esse eleitor não sabe que ele é de esquerda realmente. Eu seria o maior beneficiário desse espólio eleitoral. O pessoal botava o Barbosa como candidato. A impressão que eu tinha daquilo era que era para exatamente diminuir meu percentual de voto, porque meu eleitor é muito parecido com o dele.

Deveria, então, continuar na corrida eleitoral?
Ele disse que é uma decisão familiar dele. Então, a partir dessa afirmação, nada mais eu poderia falar. Se bem que ele complementou depois quais são seus temores.

E citou o senhor?
O Joaquim Barbosa deu uma declaração, citou três das preocupações dele e me citou. Disse que seu grande medo era eu ser eleito presidente. O lado positivo é que ele me via como uma possibilidade. Outra é que… Que mal é esse? Que mal poderia causar ao país? Citou golpe militar, ninguém fala isso no país. A outra é o Temer encontrar uma maneira de prosseguir como presidente,  que não tem cabimento. É pior que um golpe militar. Golpe militar tem a justificativa da bandeira, ele não teria nenhuma. O Joaquim Barbosa me citou, saiu atirando, podia ter parado nas questões pessoais. Se ele entrasse em campo realmente, ele ia começar a levar tiro, como todo mundo leva. Tiro, por exemplo: quando estava na Presidência do Supremo, declarou que “se eu contasse o que eu sei, cairia a República”. O que ele sabe? É uma questão nebulosa, ainda. Se for por questão de saúde, não deveria nem cogitar se candidatar a presidente.

O senhor ganharia dele?
Não posso dizer que ganharia, não é afirmativo, mas acredito que sim, tenho chance de ganhar as eleições. Não é porque estou com 20%. Alguns dizem que atingiu o teto. Então, seria melhor se eu tivesse cinco e não 20. Aos poucos, os rótulos feitos contra mim estão sendo desfeitos.

Por que o seu eleitor é muito parecido com o dele?
Quando se fala o nome dele, na cabeça de muita gente, ainda vem a história do mensalão. A primeira coisa que vem à cabeça do eleitor é a questão do combate à corrupção. Minha imagem está bem associada a isso também. Ele me citou no mensalão, o único que não foi comprado pelo PT. O meu caso é associar também à questão da Friboi, da JBS — no tempo em que ela não estava na pauta da Lava-Jato.

Qual o principal rótulo que o senhor acha que tem que desfazer?
Homofóbico. O último agora é racista, xenófobo, misógino, que não gosto de mulher, mas eu não gosto é do colega da minha frente aqui, com todo o respeito.

Misógino não é exatamente isso...
É não gostar de mulher, ter pavor a mulher… Agora, onde é que tem um vídeo meu criticando mulher, onde você acredita que eu sou racista e impeço um afrodescendente de fazer algo pela cor da sua pele?

O senhor disse recentemente que fraquejou e teve uma mulher. Acha que isso é desrespeitar mulher?
Homens fazem piadas, brincadeiras. Quando é filho homem, falam que você é consumidor. Quando nasce uma mulher, os homens brincam, agora ele não é mais consumidor, é fornecedor. Eu tive quatro homens, fiz uma brincadeira. Não posso brincar mais? Ora, veio uma mulher. Não pode mais contar uma piada no Brasil? De cearense, gaúcho, baiano... Agora, por causa disso estou ofendendo as mulheres?

E o entrave com a deputada Maria do Rosário? Rendeu o processo, que agora será levado para a primeira instância...
Algumas semanas depois de ela entrar com esse processo, ela foi defenestrada no Ministério Público porque foi flagrada em Portugal fazendo uma campanha dizendo “Fora, Temer”, e como integrante do MP não podia fazer qualquer manifestação político-partidária. Agora a origem da história poucas fontes de imprensa contam, e está tudo no YouTube. Eu estava debatendo a redução da maioridade penal, por conta do caso do Champinha. Ela foi debater depois de mim e dizia que o Champinha deveria ser defendido à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não pela maioridade penal. Votamos há mais ou menos dois anos, uma proposta de emenda à Constituição para reduzir a maioridade penal para casos de estupro, por exemplo. E ela votou contra isso. Então, para a Maria do Rosário, o menor de idade pode sair estuprando por aí, que ele responde à luz do ECA. Quem defende mulher, eu ou ela?

Quantos projetos o senhor aprovou em 28 anos de Congresso?
Eu estive à frente da questão da fosfoetanolamina sintética, o voto impresso... Outra coisa, eleitor brasileiro está acompanhando a venda de emenda, um Congresso movido à base de mensalões, assaltos às estatais…O senhor quer que eu entre nesse jogo e aprove meu projeto como?

O que o senhor ficou fazendo, então?
Reagindo a muita coisa também. Perguntam quantos gols você fez, mas não contam as bolas na trave, muita coisa eu defendi. A questão familiar, que ficou conhecida como “kit gay”, não se comenta mais hoje em dia, depois veio a bancada evangélica, mas evitamos, em 2010, que esse material chegasse para criança a partir de 6 anos de idade.

Isso não foi só discurso para ganhar uma reeleição?
É prático. Você vê o plano nacional de promoção LGBT que existe… São 180 propostas voltadas não para a causa LGBT, mas para o ativismo LGBT. Como a desconstrução da heteronormatividade, banheiros em escolas. Você acha que eu ficaria tranquilo se minha filha fosse ao banheiro da escola dela e tivesse o Pedrinho, de 10 anos, fazendo pipi com ela? Qual pai quer encontrar o filho brincando de boneca por influência da escola? Nós tiramos fora a questão da ideologia de gênero.

O futuro presidente precisa ter apoio do Congresso. O senhor aqui está citando dois projetos. Como vai ser o seu diálogo com oCongresso caso o senhor seja eleito?
Primeiro você tem que pegar os outros parlamentares e ver quantos projetos eles aprovaram também.

Mas os outros não são candidatos à Presidência da República...
Então pior ainda, se nem parlamentares foram, nem deviam se candidatar a nada. Não sabem nem como tramitar um projeto... Vou ganhar por W.O., segundo a observação de vocês.

Como o senhor vai tratar o Congresso se eleito presidente?
Temos propostas elaboradas de como aprovar isso. Isso não é bom para mim, é para o Brasil. Então esperamos contar com o apoio do parlamento nesse sentido. Temos um grupo, chegando a 60 deputados federais, que não querem participar dessa forma de legislar, de toma lá dá cá, que leva à ineficiência do Estado e à corrupção. Quase diariamente temos operações que envolvem nomes de parlamentares. Estamos vendo que figurões estão tendo problemas, não apenas o baixo clero.

Mas para governar é preciso maioria. Quem não tem maioria no Congresso geralmente tem dificuldade para governar...
Como foi conseguida a maioria no Congresso geralmente? Comprando e entregando estatais, bancos oficiais… Isso nós não queremos fazer.

O senhor tem outro modelo?
O senhor tem outro modelo por acaso? Você não está sendo entrevistado aqui. Nenhum de vocês da imprensa diz uma forma que não seja essa de comprar.

Sim, mas qual o modelo que o senhor propõe?
Convencimento. Parabéns, como toda mulher, você é inteligente. Roraima, por exemplo, é uma terra riquíssima, e usei essa expressão lá. “Se eu fosse rei de Roraima, em 20 anos teremos a economia próxima à do Japão”. Mas Roraima não vai pra frente porque não tem energia, por problemas ambientais e indígenas. Eu atendo a bancada de Roraima por conta disso. Atendo, por exemplo, a bancada ruralista nas questões  que atrapalham o agronegócio. Temos que tipificar como terrorismo as ações do MST, porque o homem do campo vive apavorado. O cara vive apavorado. Se alguém invadir a terra dele e ele der um tiro, vai ser processado.

O dólar voltou a subir. Quais as propostas do Brasil para a economia?
Quando falei há pouco tempo que sem segurança não tem economia, apanhei bastante também. Muita gente diz bastante isso. Ano retrasado, 460 estabelecimentos foram fechados na Barra da Tijuca, grande parte por conta da violência. Nem lá as pessoas têm mais sossego.

Por que o senhor tem tanto prurido ao falar do assassinato da vereadora Marielle?
São centenas de policiais militares, e a imprensa diz que o que houve seria a mando de um vereador da Câmara do Rio de Janeiro, com um miliciano. Agora entrar na linha do PSol ou de outros partidos de que é um crime político está sendo comprovado que não foi. De acordo com a linha de investigação, que era questão de construção irregular na região de Rio das Pedras (RJ), demonstra que não tem nada de político, o negócio é econômico, briga de milícia.

Se eleito, qual o seu projeto para a intervenção federal?
Eu votei favorável ao projeto de intervenção. Mas foi feito sem qualquer planejamento, tem problema de recurso, não tem retaguarda jurídica. Sem tal retaguarda, não dá. Você pode pegar um militar, recém egresso no Exército, um garoto, que ao reagir a uma situação conflituosa, acabar condenado a 12, a 30 anos de cadeia? Mesma coisa que falo para o policial, ele entra muitas vezes por heroísmo. As mortes são banais do nosso lado. Quando matam alguém do lado de lá, mesmo reagindo, o mundo cai na cabeça deles. Isso tem que deixar de existir. O policial nos EUA é condecorado, e não processado.

Mas qual o seu projeto? E a economia?
Não é apenas o Rio de Janeiro, o Ceará tem problemas seriíssimos de violência, o Brasil todo tem. Tem que mexer nesses dois artigos do Código Penal. Começa por aí.

Se o senhor perder a eleição, vai fazer o quê?
Vou pra praia tomar água de coco e, quem sabe, converse sobre meu Botafogo.
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