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Ricardo culpa “golpistas” por crise, nega redução de ICMS e diz que já falta insulina nos hospitais

terça-feira, 29 de maio de 2018

/ por News Paraíba

Gestor usou o programa “Fala do Governador” para criticar a política de preços da Petrobras e rechaça risco de novo golpe

O governador Ricardo Coutinho (PSB) usou, nesta segunda-feira (28), o programa Fala do Governador para criticar a crise de desabastecimento, decorrente da paralisação dos caminhoneiros. O gestor apontou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, como o ponto de partida para a desestruturação política e econômica do país. A condução do processo, ele assegura, ficou a cargo de “forças e interesses enormes não só instalados no Brasil, que investiram para criar a instabilidade”. “E ela foi criada”, assegura, citando a fragilidade do governo “interino” do presidente Michel Temer (MDB).

As consequências da mudança de governo, segundo o governador, foram atender aos interesses internacionais. Ele recorre a números da Petrobras da época do governo Dilma para assegurar que não havia prejuízo. Ricardo diz que esses interesses fizeram com que a empresa passasse a produzir apenas um terço da sua capacidade. A consequência disso é que o país passou a importar muito combustível e, por isso, ficou à reboque das oscilações do mercado internacional. O atrelamento dos preços ao valor internacional do barril de petróleo fez com que os preços saltassem.
 
De acordo com o Blog do Suetoni, o governador reafirmou as críticas à proposta do governo federal de eliminar a cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis. O imposto, que deve ser zerado após aprovação no Congresso, ressalta o gestor, provocará impacto negativo sobre os repasses para os estados. Tampouco admitiu disposição para reduzir a quota de ICMS cobrado sobre a gasolina e o diesel, hoje na casa dos 27%, acrescido de 2% do Fundo de Erradicação da Pobreza. Fazendo referência ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB), um dos defensores da redução, ele alega que o tucano, quando governador, foi quem mais elevou o imposto.

Desabastecimento

A consequência do desabastecimento na Paraíba, ele ressalta, além de prejudicar a locomoção do cidadão e até o desabastecimento de alimentos, vem prejudicando os serviços. Apenas as viaturas das polícias estão com o abastecimento garantido, para não prejudicar as rondas. Fora isso, até o fumacê chegou a ser suspenso – um serviço que o governador garante que será retomado a partir desta terça-feira (29). A situação nos presídios é crítica. O abastecimento deles ocorreu há três dias. Mesmo assim, o gás de cozinhar só deve durar até a próxima quarta-feira (30).

“O maior problema na saúde é na hemorrede. Houve queda na doação de sangue. Estou falando de vida. As pessoas saíram menos de casa e procuraram menos a rede para fazer a doação de sangue da Paraíba. Faço um apelo para a população doar. Tem que doar”, ressaltou Ricardo Coutinho. Sobre as hemodiálises, ele disse que há insumos para mais 15 dias. Apesar disso, falta insulina nos hospitais, porque os equipamentos estão parados por causa dos bloqueios. Há ainda os casos de hospitais que estão sem gás para cozinhar e, por isso, estão suspendendo o atendimento.

O governador lamentou o desabastecimento em vários pontos do estado. Criticou, também, os aumentos extorsivos nos preços. Aconselhou, inclusive, que as pessoas prejudicadas liguem para o telefone 197, que é o serviço do Disque Denúncia do governo. “Pode denunciar no Procon também”, disse.

“Golpe”

Falando ainda sobre o impeachment, tratado por ele o tempo todo como golpe, o governador disse que a população foi enganada. Disse que os defensores do impedimento de Dilma espalharam que tudo se resolveria após a saída dela. “De uma situação de quase pleno emprego, estamos batendo recorde de desemprego”, disse. Traçou comparativos também entre os governos do PT e do PSDB. Disse que entre 1995 e 2002, no governo de Fernando Henrique, o valor da gasolina subiu 350%. Nos governo de Lula e Dilma, entre 2003 e 2016 o valor aumentou 45%. No governo Temer, os aumentos em dois anos somaram 56%.

Ricardo também criticou o risco de um golpe militar. Apesar das críticas ao presidente Michel Temer, o governador diz que a mudança deve ser feita nas urnas. Que sejam apresentados os nomes para a disputa e não através de intervenção militar. “Se instalou a instabilidade, ela atingiu o governo e agora vivemos o caos”, disse, assegurando que a instabilidade foi criada por forças que estão dentro e fora do país. Disse ainda que Michel Temer, neste processo, foi escalado para implantar as reformas liberais. Entregou parte delas e não entregou o resto por que perdeu as condições para isso.
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