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TST eleva multa para paralisação de petroleiros a R$ 2 milhões por dia

quinta-feira, 31 de maio de 2018

/ por News Paraíba

Com declaração de Temer sobre a política de preços da Petrobras, ações caem 1,65%
 
Petroleiros em refinarias e plataformas da Petrobras começaram na madrugada de ontem uma greve de 72 horas. Eles mantiveram o movimento apesar de a ministra Maria de Assis Calsing, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ter aumentado de R$ 500 mil para R$ 2 milhões a multa diária aplicada aos sindicatos por manter a greve depois que a Corte a considerou ilegal. A Advocacia-Geral da União (AGU) havia pedido que a penalidade subisse para R$ 5 milhões. Ao todo, 18 entidades sindicais estão sujeitas à penalidade.

Na terça-feira, o TST considerou a greve ilegal por ter “cunho político”, mas, mesmo assim, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne 14 sindicatos, iniciou ontem a paralisação de advertência. Os sindicalistas prometem continuar a paralisação hoje. O diretor de Comunicação da FUP, Gerson Castellano, afirmou que a entidade não tinha sido notificada até a noite de ontem da decisão do TST. Sobre a possibilidade de arcar com multa diária de R$ 2 milhões, ele classificou a punição de “pesada”, já que, segundo ele, os petroleiros não interromperam nem a produção nem o fornecimento de combustíveis para distribuição. A categoria faz nova assembleia hoje ao meio-dia.
 
De acordo com O Globo, a multa incide tanto para o caso de continuidade da greve quanto para a hipótese de ação que impeça o livre trânsito de pessoas. A ministra também determinou que o processo seja remetido à Polícia Federal, para apurar crime de desobediência.

Segundo a FUP, as operações continuam normais porque nas 25 unidades em que houve adesão — dez são refinarias — foi suspensa apenas a troca dos turnos. Assim, a equipe que não foi substituída mantém as operações por questões de segurança, uma vez que equipamentos de uma plataforma ou refinaria não podem ser desligados em pouco tempo. Os petroleiros mantiveram o protesto contra a política de preços dos combustíveis adotadas pelo atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, e a redução da produção nas refinarias. A FUP pede a saída do executivo.

GOVERNO DIZ QUE PRESERVARÁ POLÍTICA

Em nota, a Petrobras informou apenas que “em algumas unidades operacionais não houve troca dos trabalhadores de turno. Equipes de contingência estão atuando onde necessário e não há impacto na produção”.

Ontem as ações da estatal tiveram nova queda e acumulam desvalorização de 17% só no mês de maio. O mercado reagiu mal ontem a uma entrevista do presidente Michel Temer à TV Brasil em que ele dizia que o governo poderia revisar “com muito cuidado” a política de preços da Petrobras, questionada pelos caminhoneiros.

O Planalto divulgou nota ontem afirmando que o governo continuará “a preservar” a política de preços da Petrobras: “O governo do presidente Michel Temer tem compromisso com a saúde financeira da Petrobras, empresa que foi recuperada de grave crise nos últimos dois anos pela gestão Pedro Parente”, diz o comunicado. “As medidas anunciadas pelo governo para garantir a previsibilidade do preço do óleo diesel, que teve seu valor reduzido ao consumidor, preservaram, como continuaremos a preservar, a política de preços da Petrobras.”

Mesmo assim, as ações ordinárias da Petrobras, com direito a voto, terminaram o dia em baixa de 0,22% na Bolsa. As preferenciais, sem direito a voto, recuaram 1,65%. O resultado ajudou a frear a alta do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, que abriu o pregão em queda, mas terminou o dia com valorização de 0,89%. Já o dólar, que caía mais de 0,50% na abertura do pregão, encerrou o dia perto da estabilidade, em leve baixa de 0,08%, a R$ 3,737.

Para o analista da Ativa Investimentos Lucas Claro, a instabilidade em torno dos papéis da Petrobras e a cautela no dólar estão diretamente relacionadas à inconsistência do discurso do governo sobre a política de preços da Petrobras:

— É uma confusão de mensagens, ora do presidente do Senado, ora do da Câmara, e também do presidente Temer. Essa confusão se reflete diretamente em volatilidade no mercado.

Em relatório, o analista Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, reforçou que o mercado não vê com bons olhos a possibilidade de interferência do governo na política de preços da estatal: “A desconfiança foi amplificada após a entrevista do presidente Michel Temer à TV Brasil, em que admitiu que o governo pode mexer na política de preços.”

Ontem a Petrobras anunciou um novo reajuste no preço da gasolina nas refinarias. A partir de hoje, o combustível tipo A vai subir de R$ 1,9526 para R$ 1,9671 (valor sem tributos). O reajuste equivale a 0,74%. O preço do diesel será mantido em R$ 2,1016, como determina o acordo firmado entre o governo federal e os caminhoneiros, por 60 dias.
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