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Mais de 800 pessoas já morreram de diabetes este ano na Paraíba

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

/ por News Paraíba

Apenas um em cada quatro brasileiros considera o diabetes uma doença grave e causa de morte. A constatação é da pesquisa “Diabetes: o que os brasileiros sabem e não sabem sobre a doença”, da Abril Inteligência com apoio da AstraZeneca e do Curso Endodebate. Segundo o Correio da Paraíba, o levantamento revelou que a maioria da população desconhece a seriedade das complicações da doença, mesmo sendo a quinta maior causa de morte no país. Na Paraíba, considerando o percentual da pesquisa, quase três milhões de pessoas ignoram os riscos, inclusive de que a doença pode levar à morte. Só este ano, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), já são 807 óbitos relacionados à doença no Estado.

O policial civil Marito Costa está entre os que têm diabetes, sabem dos riscos, mas não tomam as devidas precauções para equilibrar a saúde e controlar a taxa de glicose. “Minha mãe era diabética. Vai fazer um ano que recebi o diagnóstico, mas confesso que não me cuido. Evito açúcar, porém moro sozinho e acabo comendo gorduras, como de tudo. Estou acima do peso e não pratico nenhuma atividade física”, admitiu.

Delegado da Sociedade Brasileira de Diabetes na Paraíba, o endocrinologista João Modesto, teve acesso à pesquisa e afirmou que a estimativa pode ser aplicada à Paraíba. Em relação ao conhecimento sobre a gravidade, ele disse que a classe social das pessoas tem influência na foram como elas veem a enfermidade. “Se estou numa condição socioeconômica melhor, existe algum desconhecimento, mas não tanto como nas classes econômicas menos favorecidas”, observou.

Ele ressaltou, inclusive, que pelo menos metade das pessoas que têm diabetes do tipo 2 não sabe que está doente. Por isso, a recomendação é que, se houver histórico familiar, os exames preventivos sejam feitos uma vez por ano, após os 30 anos de idade.

“Se o paciente tem hipertensão, é obeso, tem colesterol alto, é sedentário, deve ter maior vigilância porque nestes casos, os riscos são bem maiores”, ressaltou.

Desestímulo

Um dos aspectos que podem fazer com que as pessoas ignorem a gravidade do diabetes, na opinião do endocrinologista João Modesto, é que o Sistema Único de Saúde (SUS), que é o grande liberador de medicamentos para a doença, tem algumas limitações em termos de fornecimento, oferecendo basicamente dois tipos de medicamentos, os orais e insulina.

“Quem depende exclusivamente do SUS, às vezes tem dificuldade de acesso a medicamentos mais recentes, porque ele não fornece. Pode ser que nessa luta de não ter como usar, porque é um remédio caro, termina, talvez, existindo uma acomodação”, disse.

Para o médico, são necessárias campanhas para alertar a população, com as que são feitas em datas como o Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro. “Além disso, é necessário que a população faça exames, pratique atividades físicas, faça a prevenção para descobrir novos casos que a pessoa não sabia. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia Metabólica na Paraíba (SBEM-PB) todo ano faz esse tipo de trabalho junto à população”, acrescentou.

Complicações cardiovasculares

A pesquisa constatou ainda que a maioria da população desconhece conceitos básicos sobre a doença, especialmente relacionados às complicações cardiovasculares. No geral, as pessoas relacionam o diabetes a problemas de visão e amputação, mas as doenças cardiovasculares são muito mais graves e podem levar à morte.

Para o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP e responsável pelo levantamento, a chave para o bom controle da doença está na descoberta e adesão precoce ao tratamento. “É comprovado que o tempo despendido entre o diagnóstico e o início do tratamento terá relação direta com uma melhor ou pior qualidade de vida do paciente diabético”, observou.

A pesquisa foi realizada de forma online nas cinco regiões brasileiras, entre os dias 23 de março e 19 de abril de 2018, com participação de 1050 entrevistados, sendo 387 diabéticos (53% mulheres) e 663 não diabéticos (52% homens), e contemplou as classes A, B e C.

Obesidade

Diabetes é uma doença que se caracteriza pelo aumento da glicose no sangue. É considerada grave e tem íntima relação com a obesidade, um dos grandes males do século, conforme o endocrinologista João Modesto. Ele afirmou que a doença também é uma das principais causas de mortalidade e primeira causa de cegueira no mundo.

Por isso é preciso ficar atento a alguns sinais como tomar muita água, urinar muito e perder peso sem motivo. Além disso, a doença pode ser assintomática no início. Porém, as consequências são desastrosas. A doença é a principal causa não traumática de amputação de membros inferiores. “Possivelmente, é a principal causa de indivíduos que se submetem a hemodiálise. Um diabético que não é bem conduzido tem uma expectativa de vida de seis a 12 anos menor do que quem não é”, alertou.

Existem dois tipos da doença. O 1 ocorre mais na infância e adolescência. É uma doença autoimune em que o corpo ataca as células do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. O tipo 2 afeta pessoas a partir dos 30 anos, com forte componente genético. Entre 70% e 80% dos pacientes têm obesidade, 50% são hipertensos e 30% têm dislipidemia, que é o aumento de gordura no sangue, colesterol e triglicerídeos. Nos dois casos, a orientação médica é pela mudança do estilo de vida, nutricional e atividade física, mantendo o peso normal. O sedentarismo, segundo o médico, atinge 50% da população.

Assistência

O tratamento é individualizado. Se for para o diabetes tipo 1, os cuidados são com a administração de insulina. No tipo 2, existe uma série de medicamentos orais e injetáveis.

Consequências

A cuidadora de idosos Cassandra de Lucena Ferreira descobriu o diabetes do tipo 1 há 35 anos, quando tinha apenas 13 anos de idade. A família desconfiou de que havia algo errado, porque ela urinava com frequência e estava perdendo peso. “A taxa estava em quase 500 pelo excesso de açúcar no sangue. Por conta da doença, tomo insulina até hoje”, relatou.

Apesar do uso diário do hormônio, o problema maior, segundo ela, são as consequências da doença. Há quatro anos, desenvolveu polineuropatia, uma complicação devido à glicose alta no sangue e o tempo da doença. “Ela afeta os nervos periféricos, pernas, mãos, pés, que ficam inflamados e causam dores muito fortes. Tenho que ter um cuidado ainda maior por causa do risco de amputação dos membros”, alertou.

Aos que não dão importância à gravidade da doença, ela diz que é preciso repensar. “Eu diria que o cuidado é fundamental, a ida ao médico, porque é uma patologia com complicações terríveis. Tem que monitorar 24 horas por dia para ter uma qualidade melhor de vida e evitar as complicações”, recomendou.
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